O carcinoma espinocelular (CEC) é um tipo de câncer de pele que merece atenção especial. Diferente do carcinoma basocelular, que costuma ter comportamento mais “local”, o CEC pode crescer mais rápido e, em alguns casos, tem potencial de metástase (espalhar), principalmente quando é negligenciado por muito tempo, aparece em áreas de risco ou em pacientes com imunidade mais baixa.
Isso não é para assustar, é para deixar claro o principal: quando diagnosticado cedo e tratado de forma adequada, o CEC tem excelente chance de controle e cura. E, na maioria das vezes, o caminho mais seguro é a remoção cirúrgica com margens, com análise do material para confirmar a retirada completa.
Sintomas: Manchas ásperas e verrucosas
O CEC nem sempre parece “um câncer” à primeira vista. Em muitos casos, ele se confunde com uma ferida comum, uma casquinha teimosa ou uma placa áspera. O detalhe é que ele não melhora, ou melhora e volta, e vai se tornando mais espesso com o tempo.
Os sinais mais frequentes incluem:
- Mancha áspera (como uma “lixa” na pele), que persiste e cresce
- Lesão com aspecto de verruga, elevada e endurecida
- Ferida que não cicatriza ou que sangra com facilidade
- Placa descamativa, por vezes dolorida ao toque
- Crosta recorrente, principalmente em áreas expostas ao sol
Geralmente surge em área de muito sol (careca, orelhas, lábios)
O carcinoma espinocelular costuma aparecer em regiões com sol acumulado ao longo da vida. Por isso é mais comum em pessoas com exposição crônica, muitas vezes sem perceber: trabalho externo, esportes ao ar livre, praia frequente no passado, ou até aquele hábito de “pegar um solzinho” sem proteção.
As áreas clássicas incluem:
- Couro cabeludo (especialmente em calvície)
- Orelhas (parte externa e bordas)
- Lábios (principalmente o inferior)
- Face, nariz e bochechas
- Dorso das mãos e antebraços
Essas regiões são mais expostas e, por isso, merecem uma atenção extra quando surge uma lesão nova, áspera ou que muda de comportamento.
Fatores de Risco: Sol acumulado e imunidade
O principal fator de risco para CEC é a exposição à radiação ultravioleta (UV) ao longo dos anos. É o efeito “conta-gotas”: cada queimadura, cada dia sem proteção, cada verão exagerado… soma.
Além disso, existem fatores que aumentam a chance de a lesão surgir e evoluir mais rápido:
- Idade (mais comum em pessoas acima de 50–60 anos)
- Pele clara e histórico de queimaduras solares
- Trabalhos com exposição externa frequente
- Imunossupressão (uso de medicações específicas ou condições que reduzem a imunidade)
- Histórico de lesões pré-cancerosas (como ceratoses actínicas)
- Exposição prévia a radiação ou substâncias irritantes, em alguns casos
Mesmo com fatores de risco, a regra é simples: qualquer lesão persistente precisa ser avaliada. Quanto antes, mais simples tende a ser o tratamento.
Procedimento Cirúrgico de Remoção
A cirurgia do carcinoma espinocelular é planejada para ser resolutiva e segura. O objetivo é remover a lesão com margem de segurança, ou seja, retirando também uma pequena área ao redor para aumentar a chance de eliminação completa das células do tumor.
De forma geral, o procedimento segue alguns passos:
- Avaliação e planejamento do tamanho, profundidade e localização.
- Anestesia local, para conforto durante todo o processo.
- Remoção cirúrgica da lesão com margem apropriada.
- Fechamento com pontos, respeitando linhas naturais da pele sempre que possível.
- Envio do material para análise patológica, que confirma o tipo de tumor e se as margens estão livres.
Esse exame é parte essencial do cuidado, porque funciona como um “carimbo” de segurança: ele ajuda a confirmar que a remoção foi completa e orienta o acompanhamento.
Atenção especial ao CEC de Lábio e Orelha
Algumas localizações são consideradas mais delicadas e exigem ainda mais critério, tanto pelo risco quanto pela reconstrução estética e funcional.
Áreas de maior risco que exigem reconstrução cuidadosa
Lábios e orelhas são exemplos clássicos. Além de serem regiões muito expostas ao sol, elas têm estruturas anatômicas que pedem um fechamento mais preciso.
Nesses casos, o cuidado costuma envolver:
- Planejamento detalhado da remoção para preservar forma e função
- Escolha do tipo de sutura e pontos que favoreçam boa cicatrização
- Orientações pós-procedimento mais rigorosas (fotoproteção e cuidados locais)
- Acompanhamento próximo, principalmente nos primeiros meses
O foco é sempre o mesmo: segurança oncológica em primeiro lugar, com um resultado estético que respeite a naturalidade do rosto.